De médico e louco…
…Dizem as más(???) línguas, que todo mundo tem um pouco. Não sei se da honrada profissão que ostenta o jaleco branco, eu tenho alguma coisa, talvez realmente só possua uma pequena pitada, proveniente das vezes que me atrevia a brincar de médico. Está na mesma proporção que possuo de arquiteto ao brincar de casinha. Mas de louco, ai sim, eu tenho e tenho muito, além do quantidade recomendada pela Agência Nacional de Saúde.
Não, eu não sou nenhum deficiente mental, não sofro de transtornos psicóticos ou de múltiplas personalidades, não sou acometido de incapacidade de raciocínio nem muito menos rasgo dinheiro, apesar de todo mês fazer com que o mesmo desapareça numa velocidade impressionante. Insanidade não faz parte da composição do meu eu. Mas na minha bula, definitivamente está escrito em letras garrafais : CONTÉM ALTAS DOSES DE INSENSATEZ.
Lembro-me de uma propaganda bem antiga do perfume Insensatez do Boticário (o qual eu já usei inclusive),
que tinha uma mulher com metade do rosto bem normalzinha, nos padrões comuns, enquanto no outro lado está careca e com um piercing não lembro bem onde. E é justamente isso que eu penso, que um pouco de loucura faz muito bem. É bom de vez em quando poder fazer as coisas de maneira nada convencional, fugir de padrões e deixar o bom senso em casa de castigo. Defendo os desejos mais inusitados e aplaudo pessoas que assim como eu acreditam em sair na chuva enquanto todos se protegem embaixo do lençol. Sair num dia frio pra tomar sorvete mesmo estando gripado, ligar o som e dançar de maneiras ridículas cantando de modo mais desafinado possível ao ponto de reduzir a população de gatos e cachorros num raio de três quarteirões a praticamente zero. Não vejo problema nenhum em esporadicamente vestir roupa do avesso, cozinhar pratos inusitados por meio de misturas birutas que fariam filmes de Spilberg se assemelharem a sonhos infantis, e fazer um gol contra de propósito só pra fazer bagunça. Falando em bagunça, guerra de travesseiros fazem parte do script, lado a lado com correr pela rua tocando campainhas de estranhos. Estranhos são gestos de entrar em um ônibus praticamente vazio e fazer todo o trajeto em pé, o mesmo pé que meus filhos enterram na areia da praia só pra verem as rachaduras que se formam ao levantar de uma vez e caírem na risada. Atitude excêntrica e meio maluca, mas são meus filhos, esperavam coisa diferente? Esquesitice talvez seja genética ou quem sabe aprendida pelos ex
emplos. Nada tão divertido quanto chegar em um restaurante francês e pedir feijoada só pra ver centenas de linhas de expressão se formarem no cenho do garçom enquanto ele entorta a boca, mas no beliscão que se leva por baixo da mesa, proveniente das mãos delicadas e dotadas de umas não tão delicadas assim da bela dama que te acompanha não é nada divertido. E não há remédio que dê jeito quando bate aquela vontade louca de ligar pra pessoas tão destranbelhadas quanto eu, as quais intimamente chamo de amigos, e assim do nada, combinar uma viagem de última hora sem nem se saber pra onde. Cenas inesquecíveis de sentar na calçada da ETFPB com uma caneca no formato da cabeça do Garfield, com o violão encostado na parede sem tocar p… nenhuma e mesmo assim juntar dinheiro suficiente (dado por estranhos transeuntes acostumados a largar esmolas pra qualquer um) pra pagar pão doce com mortadela regado a baré.
Sou fã de personagens birutas e incompreendidos do tipo Coringa (Why so serious?). Só porque se tem uma visão mais desconexa da realidade ela tem que estar errada? Há quem diga que regras são pra serem seguidas e obedecidas cegamente porque são o padrão e a norma e blá-blá-blá. Pura hipocrisia já que são os primeiros a quebrar essas mesmas regras assim que podem. Mas o legal mesmo é desafia-las. Fazer coisas que ninguém espera, nas piores melhores horas e poder falar baboseiras sem medo de ser criticado é bom demais. São pensamentos e desejos que tentam, e por muitas vezes conseguem escapar do reino da imaginação e pra minha sorte insistem em me usar como meio de escape. Não sou Mac’Donalds mas amo muito tudo isso. Apenas uma dúvida me assola o pouco raciocínio que insisto em preservar e no qual me solidarizo com o Chapeleiro Maluco : Afinal de contas, qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?
Ps: Aceito respostas e palpites.



Ok “doutora” quando eu estiver precisando de tratamento ligo pra ti, kkkkk
A pergunta tb não consigo responder,mas sobre o texto diria que tenho mais talento pra medicina do que pra loucura, embora ache que o oposto seja bem mais interessante… kkkk