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sorriaNão sei bem por que mais ainda tem coisas que me surpreendem.
Hoje pela manhã, após deixar meus filhos na escola, atravesso uma faixa de pedestres e uma motorista está com uma das caras mais emburradas que já vi na minha vida.
Não era pelo transito, nem por estar discutindo com alguém ao lado dela. Simplesmente ficou zangada pelo fato de ter que parar seu carro para que este humilde pedestre (e outros que compartilham da minha condição) pudesse passar.
Tudo bem, talvez a pobre moça em seu veículo em ótimo estado e no conforto do seu ar condicionado já estivesse aborrecida com algo antes de sair de casa e por isso a expressão tão severa em seu rosto.
O fato é que o ocorrido me fez pensar em quantas vezes nós deixamos de sorrir por uma coisa, uma única coisa que se faz maior que cem dos nossos problemas. Eu sei que todos temos problemas e motivos pra nos preocupar e coisas que nos entristecem mas até que ponto essas mesmas coisas superam aquilo que nos faz bem e os motivos que temos para agradecer e sorrir.
Pense bem, afinal, ontem você foi dormir e hoje abriu os olhos. Tantos outros não podem dizer o mesmo.
Quem sabe você acordou e reclamou porque só tinha pão (de ontem) e leite, mas faltava o queijo, presunto, achocolatado, blá, blá, blá. Do outro lado da rua, alguém acordou pensando: “queria ter pelo menos um pão ( de antes de ontem) pra poder comer.
Sua mão pode ter começado o dia pegando no seu pé, seu marido ou sua esposa esqueceu de pagar a conta de energia, seus filhos quebraram o copo ou cachorro sujou sua roupa antes de sair e você teve que ir se trocar. Mas depois disso sua mãe disse “Deus te abençoe meu filho, tenha um bom dia”, sua esposa ou seu marido se desculpou, seus filhos com um sorriso te amaram e seu cachorro, com aquela cara de tonto, olhos melosos e rabro frenético disse que esperava ansioso pela sua volta.
Não nego que existam problemas e razões pra vez ou outra se preocupar e se entristecer, apenas me nego a aceitar que essas coisas, mesmo considerando todas juntas, sejam maiores que meus motivos pr sorrir.
Ontem, após um mês de férias, voltei a trabalhar e uma das primeiras coisas que fiz foi ir na sala ao lado e dizer bom dia para alguns colegas de trabalho. Um deles, um tanto quanto surpreso me perguntou se eu realmente tinha ido lá apenas dar bom dia e disse que eu realmente era uma pessooa comunicativa e que me relaciono bem.
E eu apenas desejeii um bom dia.
Pense nisso, você pode afetar o dia de alguém apenas sorrindo e desejando um bom dia, ou, como eu costumo dizer…
Buongiorno bella gente!

Livro de cabeceira

Certa vez tive que responder uma pergunta um tanto o quanto difícil feita por duas amigas que questionaram qual o tipo de mulher que os homens procuram.

Confesso que fiquei com um pouco de receio em responder, afinal as opiniões são as mais divergentes e variadas possíveis, eu ia inevitavelmente acabar dando o meu ponto de vista pessoal e acabei comentando isso. Fiquei mais a vontade em responder quando disseram que queriam saber o que um homem de qualidade procura em uma mulher.Lembrei então de um pequeno comparativo que fiz no estranho mundinho particular dos meus pensamentos semanas antes, e sei que vai ajudar vocês a entenderem o que quero dizer.

Mas primeiro, deixem-me explicar um outro tipo de mulher bem diferente daquelas que os homens de caráter buscam: a mulher “livrinho de colorir”. A mulher livrinho de colorir é aquele tipo que chama a atenção pelo encanto aparente e inicial, geralmente a capa é bem chamativa, colorida e bela, conseguindo atrair a atenção dos olhos com uma facilidade incrível, principalmente dos olhos de um publico em particular, as crianças (leia-se homens imaturos e infantis). É só depois que se descobre que por dentro não é tão atrativo como por fora. É sem graça, sem cor, sem vida. Ok dá pra se divertir um pouco, você pinta, colore, dá as cores que quer, mas depois de um tempo vai ficando repetitivo e enfadonho e… é só isso, acabou, não tem mais o que fazer e, como qualquer criança faria após perder o interesse inicial, deixa-se de lado, e vai procurar algo mais interessante.

Agora, na contramão desse tipo de mulher, existe a mulher “livro de cabeceira”. Elas possuem diferenciais importantíssimos e vou procurar ressaltar alguns deles. Pra começar, muitas vezes a “capa”, ou seja, a primeira impressão exterior não é lá tão encantadora e não possui muitos atrativos, mas daí o título deixa o leitor intrigado a querer saber mais. Nessa curiosidade dá-se uma olhada na contracapa pra saber um resumo do que se trata e procuram-se referencias de quem já leu.  Descobre-se que este tipo de mulher possui algo notável: CONTEÚDO. E conteúdo, diga-se de passagem, interessante pois, não importa quantas vezes nos aventuramos a lê-las, elas sempre nos surpreendem. Uma hora nos deparamos com aventura, em outra mistério pra logo em seguida encaramos um verdadeiro drama que se analisado após a contagem de mortos e feridos, não passou de uma grande comédia. Elas trazem surpresas, intrigas, ação, suspense e não raras às vezes aparecem com algumas ideias que mais parecem saídas de uma ficção, mas nem pense em contraria-las ou você acaba se deparando com uma história de guerra. No fim das contas nos homens esperamos mesmo é encontrar nas entrelinhas dessas mulheres fascinantes um belo e clássico romance com o já manjado final de todos viveram felizes para sempre.

Outra coisa que me fez pensar nessa comparação foi o fato de semelhante os livros de cabeceira, essas mulheres não saem dos pensamentos. Decoramos seus trechos mais belos, ficam gravados em nos suas verdades mais marcantes a não bastasse o fato de estarem impregnadas em nós, ainda recitamos aos quatro ventos as partes que nos afetam semelhante a um admirador das letras que repete a plenos pulmões um poema de Vinicius. Marcam-nos a tal ponto que queremos deixar também nossas marcas, pois nós rabiscamos, sublinhamos, e fazemos anotações de rodapé. Nem nos importamos se ela não é um livro “novo”, de primeira mão, até porque muitas vezes as experiências traduzidas nas marcas deixadas nas páginas de suas vidas e as anotações, rabiscos e rascunhos feitos por outros nos ajudam a entendê-la muito melhor.

Esse tipo de mulher, meus caros e minhas caras, é o tipo de mulher que nós, homens procuramos. Mulheres com conteúdo, que prendam a nossa atenção, que nos intriguem e nos conquistem a cada linha de suas histórias. Que nos levem a viajar em seus mundos e nos deem a oportunidade de escrever junto com elas o restante dos capítulos que faltam enquanto nos inebriamos com o cheiro de suas páginas carregadas de valores fortíssimos e mesmo assim frágeis, que devem ser manuseadas de forma delicada. Este é o tipo de mulher que buscamos que nunca cansamos de ler e que não abrimos mão de ter sempre por perto porque mesmo que o tempo venha a desgastar o que é aparente, a ressecar suas páginas e enrugar sua capa, seu conteúdo sempre nos surpreenderá.

De médico e louco…

…Dizem as más(???) línguas, que todo mundo tem um pouco. Não sei se da honrada profissão que ostenta o jaleco branco, eu tenho alguma coisa, talvez realmente só possua uma pequena pitada, proveniente das vezes que me atrevia a brincar de médico. Está na mesma proporção que possuo de arquiteto ao brincar de casinha. Mas de louco, ai sim, eu tenho e tenho muito, além do quantidade  recomendada pela Agência Nacional de Saúde.

Não, eu não sou nenhum deficiente mental, não sofro de transtornos psicóticos ou de múltiplas personalidades, não sou acometido de incapacidade de raciocínio nem muito menos rasgo dinheiro, apesar de todo mês fazer com que o mesmo desapareça numa velocidade impressionante. Insanidade não faz parte da composição do meu eu. Mas na minha bula, definitivamente está escrito em letras garrafais : CONTÉM ALTAS DOSES DE INSENSATEZ.

Lembro-me de uma propaganda bem antiga do perfume Insensatez do Boticário (o qual eu já usei inclusive), que tinha uma mulher com metade do rosto bem normalzinha, nos padrões comuns, enquanto no outro lado está careca e com um piercing não lembro bem onde. E é justamente isso que eu penso, que um pouco de loucura faz muito bem. É bom de vez em quando poder fazer as coisas de maneira nada convencional, fugir de padrões e deixar o bom senso em casa de castigo. Defendo os desejos mais inusitados e aplaudo pessoas que assim como eu acreditam em sair na chuva enquanto todos se protegem embaixo do lençol. Sair num dia frio pra tomar sorvete mesmo estando gripado, ligar o som e dançar de maneiras ridículas cantando de modo mais desafinado possível ao ponto de reduzir a população de gatos e cachorros num raio de três quarteirões a praticamente zero. Não vejo problema nenhum em esporadicamente vestir roupa do avesso, cozinhar pratos inusitados por meio de  misturas birutas que fariam filmes de Spilberg se assemelharem a sonhos infantis, e fazer um gol contra de propósito só pra fazer bagunça. Falando em bagunça, guerra de travesseiros fazem parte do script, lado a lado com correr pela rua tocando campainhas de estranhos. Estranhos são gestos de entrar em um ônibus praticamente vazio e fazer todo o trajeto em pé, o mesmo pé que meus filhos enterram na areia da praia só pra verem as rachaduras que se formam ao levantar de uma vez e caírem na risada. Atitude excêntrica e meio maluca, mas são meus filhos, esperavam coisa diferente? Esquesitice talvez seja genética ou quem sabe aprendida pelos exemplos. Nada tão divertido quanto chegar em um restaurante francês e pedir feijoada só pra ver centenas de linhas de expressão se formarem no cenho do garçom enquanto ele entorta a boca, mas no beliscão que se leva por baixo da mesa, proveniente das mãos delicadas e dotadas de umas não tão delicadas assim da bela dama que te acompanha não é nada divertido. E não há remédio que dê jeito quando bate aquela vontade louca de ligar pra pessoas tão destranbelhadas quanto eu, as quais intimamente chamo de amigos,  e assim do nada, combinar uma viagem de última hora sem nem se saber pra onde. Cenas inesquecíveis de sentar na calçada da ETFPB com uma caneca no formato da cabeça do Garfield, com o violão encostado na parede sem tocar p… nenhuma e mesmo assim juntar dinheiro suficiente (dado por estranhos transeuntes acostumados a largar esmolas pra qualquer um) pra pagar pão doce com mortadela regado a baré.

Sou fã de personagens birutas e incompreendidos do tipo Coringa (Why so serious?). Só porque se tem uma visão mais desconexa da realidade ela tem que estar errada? Há quem diga que regras são pra serem seguidas e obedecidas cegamente porque são o padrão e a norma e blá-blá-blá. Pura hipocrisia já que são os primeiros a quebrar essas mesmas regras assim que podem. Mas o legal mesmo é desafia-las. Fazer coisas que ninguém espera, nas  piores melhores horas e poder falar baboseiras sem medo de ser criticado é bom demais. São pensamentos e desejos que tentam, e por muitas vezes conseguem escapar do reino da imaginação e pra minha sorte insistem em me usar como meio de escape. Não sou Mac’Donalds mas amo muito tudo isso. Apenas uma dúvida me assola o pouco raciocínio que insisto em preservar e no qual me solidarizo com o Chapeleiro Maluco : Afinal de contas, qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha?

Ps: Aceito respostas e palpites.

As mulheres da minha vida…

Ou, minhas adoráveis ex-quase-nunca-talvez-quem sabe-nem pensar-eternas namoradas.


FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!!

Sim, eu sei, eu continuo sozinho (não precisa me lembrar). Mas não poderia deixar de desejar um feliz dia dos namorados a cada uma das mulheres de minha vida. Se foram poucas ou muitas, isso não importa (leia-se não interessa). Importante mesmo são as lembranças, memórias e cicatrizes que cada uma deixou.

Como diria o grande Martinho da Vila: “Já tive mulheres de todas as cores, de várias idades, de muitos amores. Com umas até certo tempo fiquei, prá outras apenas um pouco me dei… Já tive mulheres do tipo atrevida, do tipo acanhada, do tipo vivida, casada carente, solteira feliz. Já tive donzela, e até meretriz… Mulheres cabeça e desequilibradas, mulheres confusas, de guerra e de paz…”

Algumas dessas frases podem ser lidas literalmente, enquanto outras… também, menos a última. Não quero dizer com isso que sou um expert no quesito mulher, mas tenho minha cota de entendimento do assunto sim e com isso aprendi muita coisa. Hoje em dia, por exemplo, sei que não se pode julgar uma mulher apenas pela aparência. Assim como um bom livro, não é só uma bela ‘capa’ que conta, mas principalmente o ‘conteúdo‘. Se a ‘capa’ for fantástica, mas o ‘conteúdo‘ não for cativante, logo o interesse some. Aprendi também que mulher precisa de duas qualidades fundamentais: tem que ser decidida e ter maturidade (que não é essencialmente sinônimo de idade). Mas não estamos aqui hoje pra falar sobre os conhecimentos acumulados por minha caixa preta encefálica.

Novamente irei citar outro ‘monstro’ da nossa música brasileira, desta vez Ana Carolina pra dizer que, independente do tipo, “Todas as moças são partes que encontrei em mim. Riem e sonham e querem um grande amor totalmente pra si… Em todas procurava o futuro que nenhuma poderia me dar.” E eis aí grandes verdades. Cada uma delas foi, e algumas continuam sendo, partes do complexo quebra-cabeça de 5.000 pecinhas minúsculas que formam este ser complexo que vos escreve e que descrevi no meu post Enquanto rolam os dados. Algumas contribuíram mais que outras, tiveram mais paciência pra juntar as partes, ficaram mais interessadas em ver que imagens poderiam formar ou talvez não tivessem nada melhor pra fazer. Outras só  fizeram mesmo bagunçar partes quase prontas, mas, tudo bem faz parte do meu show. Aliás, de uma delas eu ouvia muito isso, “deixa do teu show”.

Com algumas eu apenas tive casos relâmpagos, outras apenas estávamos nos divertindo, houve aquelas de quem realmente eu gostei, mas não era correspondido, as que gostavam de mim, mas eu não e como também existiram os casos recíprocos. Pessoas próximas, amigas, desconhecidas que de um dia pro outro eram mais íntimas que gente que eu conhecia há anos, mulheres que já tinham me passado pela cabeça e também aquelas com quem eu nunca havia imaginado me envolver. Sem contar as que eu quase namorei, mas ficamos apenas no flerte mesmo. Das que deixaram saudades até as que eu nunca mais quero ver nem ouvir falar. Partindo das que enfrentaram tudo e todos pra ficar comigo e chegando a umas que temeram uma mãe Vera ops, quis dizer, fera e se acovardaram. Sei de umas que deram prá trás por causa da opinião de algumas amigas. Humpf, se vocês soubessem a verdadeira opinião dessas amigas sobre mim ficariam surpresas. Romances com pessoas da terrinha, com pessoas de outras cidades e de outros estados, só não de outros países. Com cada uma se foi parte de mim, mas a maioria fez a gentileza de deixar parcela de si também. Grato por isso. Posso dizer que em mim, há uma colcha de retalhos de cada representante da espécie feminina que chegou, fez uma parada longa ou demorada, e atravessou minha vida. O meu sincero obrigado a cada ex que arrancou de mim sorrisos, alegrias, lágrimas, sonhos, suspiros, suor e gemidos. Nenhuma me arrancou dinheiro graças a Deus (também pudera, não tinha muito).

Cada dia, noite, horas e mais horas, minutos preciosos e inesquecíveis estão gravados em minha alma como tatuagem onde a tinta dos sentimentos e a agulha do tempo foi fazendo seu desenho. Lembranças e mais lembranças. De almoços com a família, passando por viagens que fizemos juntos, dias em Lucena, das vezes em que eu era raptado. De fins de semana a sós regados a vinho branco e bons filmes onde o mundo lá fora poderia acabar, pulando pra encontros esporádicos no carro emprestado da irmã antes do seus dias de plantão, percorrendo fugas minhas pra Campina Grande disfarçadas de viagens a trabalho e chegando e cenas engraçadas ao deixar você na rodoviária pra partir. Das que me conquistaram de maneira singela e inocente, como um poema de um de meus autores prediletos marcado em um livro precipitadamente perfumado e desembocando em situações onde uma lingerie cor-de-rosa mais do que provocante que me fizeram perder o pouco e esparso juízo que me sobra.

Finalizo aqui mais um de meus inúteis devaneios com mais um trecho de uma genial canção do cantor e compositor Leoni,  que traduz uma verdadeira lei do universo homem-mulher. O trecho diz: “Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juízo. Devoram os meus sentidos, eu já não me importo comigo. Então são mãos e braços, beijos e abraços, pele, barriga e seus laços. São armadilhas e eu não sei o que faço, aqui de palhaço seguindo seus passos. Garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não. Garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher, são só garotos… são só garotos…”

Feliz dia dos namorados, pra toas as mulheres da minha vida. Para as que já passaram por ela e para as que virão.

Todo mundo sabe que homem não chora.

Depois de ir ao Fenart 2010 e assistir a um verdadeiro espetáculo do cantor e compositor Roberto Frejat, e principalmente, após ouvir a canção Homem não chora, eu fiquei pensando bastante nesse paradigma que é incutido em nossas cabecinhas bem no estilo ‘compre batom, compre batom’.

Tá bom, eu sei que a música tem um sentido irônico quando ele diz que homem não chora, mas não pude deixar de me inquietar com o fato de que tanta gente realmente acredita e ainda por cima difunde essa baboseira chegando a ter a cara-de-pau de chamar isso de verdade. Pois eu tenho um baita segredo pra toda e qualquer pessoa que pensa assim : HOMEM CHORA SIM!!!! E chora muito.

Homem que é homem chora por dor e por amor, chora por ter e por perder. Ao contrário do que diz a dita canção, lágrimas não são água, são pedacinhos da alma em forma líquida que, hora escapam pelos olhos pra tentar fugir das dores do coração, que surgem por uma razão ou outra (geralmente é por amor : FATO), e outras vezes, esses pequenos fragmentos de nós mesmos temperados levemente com um sabor salgado e um tanto amargo, aparecem por causa de alegrias tamanhas que derretem até o mais duro dos ‘machões’.

Homem que é homem chora de medo, de vergonha, de saudades, de culpa, de solidão e de dor de cotovelo. Também chora de alegria, de emoção, de felicidade e de surpresa. Falando em surpresa, vocês se surpreenderiam com cada tipo de coisas que já vi fazer muito marmanjo chorar. Por causa do time de futebol que perdeu, por causa de um arranhão na lataria do carro (de um centímetro e meio e em um lugar que ninguém via).  Choram porque a mãe dá mais atenção ao irmão caçula e porque o pai não emprestou o carro pra ir dar um rolé. Homem chora por cada bobagem.

Mas também chora por algo que vale a pena. Homem que é homem chora quando vê um bom filme que emociona, chora na partida e nos reencontros, chora quando segura um filho ao nascer, chora quando vê sua filhinha crescer e chora mais ainda quando vê um barbudo com cara de bobo (que um dia ,há anos atrás, cheio de espinhas e aparelho nos dentes bateu na sua porta dizendo ser o namorado dela) parado bem na sua frente no altar esperando a linda mulher que agora, vestida de noiva caminha a seu lado. Homem que é homem chora quando os poucos amigos que tem, no dia do seu aniversário, afundado em uma tristeza absurda, chegam sem avisar, te colocam dentro de um carro e fazem uma festa surpresa pra você. Chora porque passou no vestibular depois de anos sem estudar.

Eu mesmo choro e choro muito. Meu travesseiro que o diga. Talvez um dia ele chegue a brotar flores de tanto que eu reguei o coitado com lágrimas. Quem me conhece sabe que eu  choro. Quem me conhece bem já me viu chorando. E quem me conhece como ninguém sabe que já foi a razão do meu pranto, tanto na alegria quanto na tristeza – e também já me fez chorar de prazer (PS: agora pode se achar e ficar pensando bobagens).

Ideal seria que todo homem entendesse que chorar não é opcional de fábrica, mas sim é de fato  item de série. Não dá pra escolher se vai levar no pacote ou não. É mais fácil e saudável admitir logo que faz parte de nós. As pessoas seriam bem mais felizes, e fariam a maioria dos homens se sentirem mais livres se parecem com essa idéia tola. Afinal de contas, vamos ser sinceros :Todo mundo sabe que homem não chora.


OBS: Esse texto quase me fez chorar.

Enquanto rolam os dados.

Tem horas em que comparo minha vida a um jogo. Na verdade a vários jogos, dependendo do dia, da hora, do meu humor, de quanto dinheiro eu tenho na carteira, da lua, da cotação da Bovespa ou dos índices do Ibope. É parece coisa de maluco mas, … quem afinal de contas acha que eu sou normal mesmo? (Só minha mãe, mas não contem pra ela ok?)

Já me senti como um verdadeiro quebra cabeças. E olhe que não estou falando daqueles simples não, é mais algo do tipo 5.000 peças, recomendado para maiores de 25 anos, bem pacientes e com QI alto. E não raramente tenho que ficar procurando os pedacinhos que estão faltando pra completar uma parte ou outra, ato que pode demandar certo tempo investido mas, que também ocasionalmente acontece quase como de forma instantânea, quase mágica. Admito sem vergonha alguma que existem ocasiões nas quais pareço um burro teimoso e insisto em encaixar ‘peças’ que não pertencem àquele devido lugar e de tanto forçar acabo danificando as outras peças que não têm culpa de minha obstinação. Descuidado por vocação ou por pré-disposição biológica, não sei dizer ao certo, já fiz a besteira de desmanchar partes já montadas. Tem gente que olha pra mim, e até eu mesmo sou um desses, e não consegue entender nada. Claro, o quadro ainda está incompleto e eu bem sei como é difícil juntar todos os pedaços e colocá-los em seu devido lugar. Penso até se um dia conseguirei tal façanha mas me divirto tentando e comemoro cada vez que percebo que estou ficando cada vez mais ‘nítido’.

Também já comparei a um jogo de xadrez. Tudo muito bonitinho, arrumadinho no seu lugar e estratégia previamente definida para o embate tendo milhares de combinações pré definidas e meticulosamente calculadas levando em conta inclusive as jogadas adversárias e já prevendo uma resposta às mesmas. Faço minha jogada e aguardo a resposta do lado ‘adversário’. Um passo de cada vez, nada de pressa. Interessante que no campo de batalha, levianamente chamado de tabuleiro, eu sou um só e todos ao mesmo tempo, alternando meu papel de peão a rei, fazendo jogadas que exigem alguns sacrifícios das coisas de menor valor pra que eu possa efetuar jogadas mais amplas tendo por vezes, até a oportunidade de passar a cavalo por cima de tudo e de todos, como também jogadas defensivas. Procuro incessantemente capturar a peça mais importante de todas : A RAINHA! O que? Rei? Que rei que nada, me respeite, eu sou espada (êpa rimou)! O rei é a peça mais fraca, tem seus movimentos limitados, só pode andar uma mísera casinha por vez enquanto a rainha pode andar quantas casas quiser em qualquer direção. Só podia ser mulher. Os homens que me desculpem mas elas são superiores e ponto final (da afirmação, não do texto obviamente). Um dia ainda faço minha jogada de mestre e conquisto a rainha certa pra ocupar o trono do meu coração, daí danem-se os bispos, torres, peões e cavalos porque então eu vou poder cantar “…mas mesmo assim ela sorriu para mim. Ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino.”*

Às vezes a vida parece com um jogo daqueles de tabuleiro, com pinos aonde você vai avançando as casas conforme o resultado dos dados. Em certas ocasiões acabamos por nos dar muito bem seja tirando um valor alto ou caindo na ‘casas’ que dão certos bônus. ‘Parabéns, avance mais três casas’ ou então ‘Hoje é seu dia de sorte, você tem mais 5 jogadas’. Mas como nem tudo são flores, também existem momentos onde nós encontramos um belo ‘que pena volte 2 casas’ ou ‘Você acaba de perder tudo, tente outra vez’. O Sílvio Santos adora né? “Olha a bruxa”. Apesar disso dá aquela alegria quando o pino é levado a o ponto final. Só que a vida não é feita de sorte e não se ganha dinheiro como no Banco Imobiliário, nem se constrói uma família como no Jogo da Vida tampouco se descobre o que é preciso com as dicas de Detetive. Os valores são altos demais para se deixar à mercê do destino. Por isso mesmo, tenha sempre uma carta na manga e não se acovarde diante do desafio que é viver jogando pra vencer.

Façam suas apostas, e que rolem os dados.

*a música citada é MEU REINO – BIQUINI CAVADÃO.

Compromisso envolvente


Achei por bem iniciar este post com uma pequena referência para o caso de alguém não conheçer essa alusão que se faz com tanta ênfase em muitas instituições, na maioria das vezes intitucionais mas, também é usada em meios acadêmicos, religiosos e etc.

Geralmente em algumas reuniões acabam perguntando algo do tipo “Você é uma pessoa envolvida ou comprometida?” Daí, trazem aquela imagem de um típico café da manha norte-americano com ovos e bacon, dizendo então que a galinha está envolvida com o processo pois apenas participou dele ofertando o ovo mas preservando a sua vida diferentemente do porco que sacrifica sua vida estando assim, comprometido. Costuma-se a partir disso dar mais peso ao compromisso que ao envolvimento o que na minha humilde opinião uma tremenda injustiça.

Pense sob o seguinte ângulo, para nós o que não passa de matéria-prima para uma deliciosa omelete, para a galinha é mais que isso. Enquanto vemos apenas uma casca guardando clara e gema, não levamos em conta que para a galinha são seus filhos. Então quem se sacrifica mais? Se você perguntar a qualquer mãe ou pai que se preze se ele sacrificaria a própria vida em lugar dos filhos ouvirá um sonoro com certeza já que pra eles seria inimaginável mandá-los para morrer a fim de se resguardarem.

Lábios, olhares, abraços e palavras envolventes. Quem não gosta?

Por isso eu faço questão de levantar uma defesa àquilo que envolve. Afinal de contas, pense comigo, numa noite de frio ninguém se compromete com um lençol mas ele te envolve e te aquece;e quanto a um abraço bem envolvente daqueles que te acolhem e te fazem sentir a maior segurança do mundo? É bem melhor do que aquele que compromete não é verdade? E quem nunca desfrutou de lábios, beijos e olhares que envolvem? E ainda tem minhas preferidas palavras envolventes daquelas que te amarram, prendem sua atenção, sequestram seu raciocínio e arrebatam sua razão. São algemas e correntes invisíveis porém, de eficácia incontestável mas que de maneira contraditória não aprisionam e sim libertam a alma e a imaginação. Palavras envolventes brotam nos lábios, criam situações que saltam aos olhos e nos acolhem nos braços.

Vamos fazer um compromisso? Que tal se envolver mais com as coisas e pessoas da sua vida e encarar o desafio de quanta diferença isso pode fazer? Amarre-se, embrenhe-se, cubra-se, misture-se, meta-se, confunda-se , faça parte, comprometa-se e sobretudo… envolva-se e deixe-se envolver.